Toda ferramenta de conteúdo com IA pede que você "descreva sua marca". Quase todas aceitam um parágrafo. E um parágrafo é exatamente o que faz o modelo inventar o resto.
Este texto é a lista dos campos que valem a pena preencher, e — mais útil — o tipo de peça ruim que cada um evita. Se um campo não evita nada, ele não deveria existir no formulário.
Por que um parágrafo não basta
Um modelo de linguagem preenche lacunas. É literalmente o que ele faz. Se você não disser quem é o público, ele escolhe um. Se não disser o preço, ele escreve "preço especial". Se não disser as palavras que você nunca usa, ele vai usar as mais comuns do seu setor — que são exatamente as que você evitou por dez anos.
A diferença entre um kit bom e um parágrafo não é quantidade de texto. É especificidade que o modelo consegue obedecer. "Somos uma padaria acolhedora" não dá para obedecer. "Nunca escreva 'promoção relâmpago'" dá.
Identificação — evita a peça de outra empresa
Razão social, segmento, site, cidade e estado. Parece burocracia, e é o que impede dois erros chatos.
O primeiro é geográfico: sem cidade, o modelo escreve como se você fosse nacional, e a peça perde o "aqui na Vila Mariana" que faz a diferença numa conta local. O segundo é de segmento: o mesmo pedido de "post de dica" vira coisas muito diferentes numa clínica e numa loja de peças.
Personas — evita o texto que não é para ninguém
Descreva de duas a quatro pessoas reais do seu público: idade aproximada, o que faz, quando compra, o que a preocupa, o que já tentou antes.
Uma persona bem escrita muda a estrutura do texto, não só o vocabulário. "Mãe, 30 a 45 anos, compra pela manhã a caminho do trabalho" produz uma legenda que fala de tempo e praticidade. "Aposentado, 65+, vem pela tarde e conversa" produz outra completamente diferente, sobre o mesmo pão.
O erro comum é escrever a persona que você gostaria de ter em vez da que você tem. O modelo vai obedecer à que estiver escrita, e a peça vai soar para um público que não é o seu.
Voz — evita o texto genérico de IA
Este é o bloco que mais muda a saída, e o mais mal preenchido.
Formalidade e complexidade em escala. Duas réguas, não adjetivos. "Informal" quer dizer coisas diferentes para pessoas diferentes; um valor numa escala não.
Termos obrigatórios. As palavras que você sempre usa. Se o seu produto é "assinatura" e nunca "plano", escreva isso. Modelos gostam de sinônimos, e sinônimo é ruído de marca.
Termos proibidos. O campo de maior retorno do kit inteiro. Todo setor tem palavras queimadas — "imperdível", "revolucionário", "transforme sua vida". Uma lista de dez palavras proibidas melhora mais o texto do que qualquer instrução de tom.
Exemplos bons e ruins. Duas legendas que você escreveria e duas que você nunca escreveria. Isto vale mais que todo o resto do bloco: modelos aprendem muito melhor por exemplo do que por regra. Se você só tiver tempo para preencher um campo do kit, preencha este.
Ofertas — evita o "consulte valores"
Nome, descrição, preço e link. O preço é o campo que a maioria pula, e o que gera o pior tipo de peça: a que promete sem dizer nada.
Com o preço no kit, a legenda pode dizer "a partir de R$ 12". Sem ele, o modelo escreve "preço especial" ou inventa um número — e inventar preço é o erro mais caro que um sistema desses pode cometer. Com o link, o CTA vira "link na bio" apontando para o lugar certo em vez de uma frase vaga.
Pessoas que podem aparecer nos vídeos — evita o rosto que muda toda semana
Este é específico de vídeo e vale explicar. Se você cadastra pessoas reais que podem aparecer, a primeira da lista vira a padrão, e as peças ganham continuidade — a mesma pessoa aparece nos vídeos, como numa marca de verdade.
Se a lista está vazia, a pessoa é gerada por IA, diferente a cada peça. Isso não é um bug: é a única saída honesta quando não há ninguém cadastrado. Mas é bom saber que é essa a escolha que você está fazendo ao deixar o campo em branco.
Visual — evita o feed que parece de três marcas
Cinco cores (primária, secundária, destaque, fundo, texto), fonte de título, fonte de corpo, logos.
Essas cores não são decoração do painel: elas são injetadas como variáveis CSS no template na hora do render. É por isso que o mesmo template sai com a marca de cada cliente — o template pede "a cor primária", e o kit responde qual é.
Se você não sabe os seus códigos de cor, existe o scan: cole o endereço do site da empresa e o EverFeed propõe as cores, as fontes do Google que a página carrega e candidatos a logo e ícone. Tudo é sugestão — nada entra no kit sem alguém aceitar. Para a maioria das empresas que já têm site, isso preenche o bloco visual inteiro em um clique.
Compliance — evita o problema que não é de marketing
Por tipo de post, o aviso que precisa aparecer.
Quem trabalha em saúde, direito, finanças, alimentação ou educação sabe exatamente do que se trata: número de registro profissional, aviso de resultado não garantido, informação nutricional, "consulte um especialista". Quem não trabalha nesses setores costuma achar que não precisa — até a primeira peça sobre um produto infantil.
O ponto de projeto aqui é que o aviso é por tipo de post, não global. O aviso que precisa estar num post de oferta não é o mesmo de um post educativo, e enfiar todos em todas as peças é o jeito mais rápido de fazer ninguém ler nenhum.
Como preencher isso sem perder uma tarde
A ordem que funciona, na nossa experiência:
- Rode o scan do site. Resolve o bloco visual e parte da identificação em um clique.
- Escreva os termos proibidos. Dez minutos, maior retorno de todo o formulário.
- Cole dois exemplos bons e dois ruins. Pegue de posts que você já publicou.
- Cadastre as ofertas com preço e link. Só as que você realmente promove.
- Escreva uma persona. Uma. A principal. Adicione as outras depois.
- Deixe o resto para a semana que vem. O kit tem autosave e é feito para crescer.
Um kit assim já produz peças que passam. E ele melhora sozinho conforme você usa: toda vez que uma peça sai errada, a correção geralmente é um campo que faltava — o que transforma cada erro numa melhoria permanente em vez de uma regeração.
O teste para saber se o seu kit está bom
Peça uma peça sobre um assunto que você nunca pediu antes e leia sem editar. Se ela soa como a sua empresa, o kit está bom. Se ela soa como qualquer empresa do seu setor, o que falta não é prompt melhor — é campo preenchido.
Escreva a sua marca uma vez.
O kit de marca é a primeira tela do EverFeed, e existe uma ferramenta que lê o site da sua empresa para propor metade dele.
Ver o kit de marca →